lunes, 16 de abril de 2012

Ascensão e morte do capitalismo extractivista James Petras e Henry Veltmeyer



14/4/12 

 
Proposição geral: A reprimarização da economia (ReprE) envolve uma comutação da industrialização por substituição diversificada de importações para a dependência agravada das exportações agro-minerais.

A ReprE é especialmente evidente e adoptada por regimes de centro-esquerda (RCE) resultantes de movimentos populares que derrubaram regimes neoliberais. 

A ReprE é promovida sob as bandeiras do anti-neoliberalismo e até do anti-imperialismo, mesmo quando os RCE assinam contratos a longo prazo e em grande escala com uma vasta gama de multinacionais que se tornaram os actores económicos principais nas suas estratégias de crescimento. 

A política da ReprE é uma adaptação pragmática a várias circunstâncias internas e externas: A incapacidade ou as dificuldade de sectores privados e estatais para desenvolverem uma economia nacional industrializada de alta tecnologia e as oportunidades, altos preços e exploração relativamente lucrativa de mercados internacionais na Ásia através de parcerias com multinacionais. 

Ao confiarem no capitalismo extractivista os regimes de centro-esquerda transformam-se em complexos estados rentistas que arrecadam royalties, "rendas", com a exportação de matérias-primas. 

Os ciclos de mercadorias do passado são substituídos por "mega ciclos", pois preços favoráveis ao longo de uma década substituem a flutuação de preço anual. A entrada constante de receitas leva a orçamentos estáveis e financia importações sem orçamentos e défices comerciais súbitos e abruptos (e problemas de balança de pagamentos). 

A acumulação de reservas estrangeiras, disciplina orçamental, responsabilidade fiscal apertada – essencialmente políticas fiscais de estado ortodoxas – assegura entradas de capital e a valorização da divisa local. A valorização da divisa mais uma vez acentua a ReprE pois os produtos industriais perdem competitividade de preço devido aos altos custos de produção. 

A ReprE paradoxalmente torna-se parte de uma síndrome de estabilização na economia mundial. O crescimento estável e a longo prazo, uma divisa estável, finanças estáveis, contas externas estáveis, orçamentos estáveis, relativa estabilidade social e política e reeleição ou continuidade dos responsáveis executivos (presidentes) são características essenciais desta síndrome. 

Em contraste com a UE e os EUA, a ReprE latino-americana não enfrenta crises ficais, financeiras e de balança de pagamentos ... nem tão pouco o nível de inquietação social que se acha no Sul da Europa. 

O resultado divergente entre os EUA/UE e a América Latina decorre de diferenças nos regimes de desregulamentação: os primeiros desregulamentarem o sector financeiro prejudicando os sectores produtivos através da criação de economias hiper-financeiras sujeitas a grave manipulação de mercado por parte de especuladores. Os últimos desregulamentaram o sector extractivo em resposta à ascensão da procura asiática pelos seus produtos, levando a investimentos em grande escala e a longo prazo, crescimento firme e retornos lucrativos. 

A justaposição da ideologia anti-imperialista e da ReprE levou a uma polarização dual: por um lado entre os "regimes de centro-esquerda" e o establishment de Washington e por outro entre coligações público-privadas extractivistas e as comunidades eco-indígenas. 

Durante a maior parte da última década, os regimes extractivistas de centro-esquerda (RECE) dependentes de exportações primárias obtiveram os melhores resultados do conflito tanto com os seus adversários externos como internos. 

Devido à diversificação dos seus mercados, aos preços sistematicamente elevados para as suas exportações e a contratos renegociados com as multinacionais que aumentam receitas do estado, os RECE resistiram com êxito à pressão económica dos EUA e evitaram depender do FMI. Como têm balanças comerciais excedentárias e muitas reservas estrangeiras não têm necessidade de empréstimos para a balança de pagamentos e formaram alianças regionais latino-americanas (ALBA) que proporcionam um certo grau de segurança em relação à intervenção dos EUA. 

Devido às suas receitas substanciais e ao crescimento razoavelmente alto e estável, os RECE têm sido capazes de financiar programas de pobreza, conceder concessões salariais, expandir despesas sociais e cooptar sectores da liderança dos sindicatos e movimentos sociais. Aproveitando a sua retórica anti-imperialista, apelos populistas e organização eleitoral clientelista, os RECE reiteradamente e decisivamente repeliram desafios da direita tradicional pró EUA e isolaram e marginalizaram desafios eleitorais dos movimentos sociais eco-indígenas e da esquerda radical. 
Perfil e desempenho dos RECE 
Os RECE presidiram mais de uma década de crescimento constante no PNB oscilando entre 3 e 8 por cento. O crescimento no sector extractivo, tanto em termos de investimento, comércio, receitas, produção por vezes excedeu os dois dígitos. Novos investimentos de longo prazo em grande escala estão em vias de serem realizados e há poucos sinais de que o mega ciclo esteja chegar a um fim. 

Não é tudo um mar de rosas: protestos de camponeses indianos levaram a algum bloqueio e mesmo cancelamentos de acordos mineiros e greves em minas levaram a alguma redução temporária da produção. O prognóstico para o futuro imediato é de uma continuação da passada década de crescimento, mudanças incrementais e dependência continuada do sector extractivo como força motriz do crescimento. 

Contudo, o perfil político e económico apresenta algumas vulnerabilidades profundas no médio prazo, especialmente devido ao declínio da diversidade económica e da alta dependência de mercados para bens primários. Além disso, a maior parte dos regimes RECE é baseada sobre líderes em exercício altamente personalistas, cujo papel é limitado e cujo carisma proporciona a "cola" que mantém juntos os elementos contraditórios – multinacionais e classes populares. 

Vulnerabilidades dos RECE 

Apesar dos êxitos macroeconómicos e eleitorais dos RECE, a estratégia de desenvolvimento está sujeita a um certo número de vulnerabilidades que são prejudiciais à grande maioria da população trabalhadora e ameaça a sustentabilidade do modelo. 

Prosseguiremos listando os indicadores chave de desempenho em modo telegráfico acompanhados por um breve comentário. 
Indicadores económicos 
Produtos primários são uma percentagem crescente dos rendimentos de exportação da América Latina, especialmente entre os RECE. Isto é uma causa e consequência do declínio da actividade industrial e o resultado de uma estratégia deliberada de regime. Historicamente, a dependência de exportações de mercadorias primárias levou a grande volatilidade na economia, a uma estrutura de classe altamente polarizada e ao domínio oligárquico. 

A concentração nas exportações de produtos primários tem sido acompanhada pela crescente concentração da propriedade, especialmente do capital estrangeiro no sector extractivo muitas vezes em associação com tecnocratas do sector público com estreitos laços passado e provavelmente futuros com o sector privado. Um conjunto paralelo de lucrativas consultorias satélite emerge juntamente com estabelecimentos de investimento voltados para negociações, fusões e aquisições, para ampliar o âmbito de operações de joint ventures. A concentração de propriedade está estreitamente correlacionada com o crescimento de mega milionários e a concentração de riqueza. Firmas privadas capitalistas nacionais e bancárias aderem à parceria e beneficiam-se servindo as firmas extractivas estatais-multinacionais. As multinacionais, tecnocratas, casas de investimento, consultores e banqueiros tornam-se a nova classe dirigente dos RECE. 

Os pagamentos de royalties e impostos estão longe do óptimo mesmo que alguns dos contratos passados tenham sido renegociados para aumentar pagamentos para o país "hospedeiro". "Incentivos invisíveis", cláusulas de depreciação, pagamentos por transferência, superfacturação de encargos operacionais, salários exorbitantes, permitem às multinacionais reduzir pagamentos de royalties e impostos sobre lucros, embora nominalmente as taxas tenham aumentando, privando os tesouros locais de receitas. 

Lucros é o nome do jogo que torna as commodities primárias um negócio atraente. Multinacionais dedicadas a indústrias extractivas têm conseguido lucros agregados recordes ao longo da década em múltiplos pontos da cadeia produtiva: primeiro na venda de matérias-primas, depois no seu marketing e processamento, bem como na venda inicial de inputs (maquinaria, produtos químicos, etc). A fatia multinacional do preço final de uma matéria-prima processada excede de longe o retorno para o "país fonte". 

Os lucros são, no melhor dos casos, só parcialmente reinvestidos no sítio da exploração de bens primários. O grosso dos lucros é exportado de volta para a matriz e tomado como salários executivos, bónus, dividendos ou reinvestido em sectores diversos, em sítios além-mar, com um efeito multiplicador mínimo no país hospedeiro. Uma fracção diminuta dos lucros é investida na melhoria da qualificação local, na tecnologia e na diversificação da economia do país exportadores da commodity com acréscimo de valor à matéria-prima. 

A percentagem de matérias-primas processadas localmente como bens acabado, com alto conteúdo de valor, é mínima. A maior parte das multinacionais e dos seus parceiros estatais tomam o "caminho fácil" burocrático-rentista da exploração da matéria-prima e, no melhor dos casos, refinação e fundição, acrescentando pouco valor. Em consequência os empregos de alto valor são criado no mercado interno da multinacionais ao passo que o sítio dinâmico da exploração das matérias-primas permanece um enclave privilegiado em meio à pobreza e ao subdesenvolvimento económico. A especialização em matérias-primas leva a um padrão de desenvolvimento extremamente desigual entre o enclave e o resto da economia e da sociedade. Isto por sua vez cria uma estrutura de classe geograficamente e socialmente polarizada na qual blocos multi-classes de base regional competem e entram em conflito para a obtenção das riquezas e receitas acumuladas pelo estado. O papel do estado como "mediador" ou redistribuidor entre o enclave rico em recursos e o resto da economia social é comprometido pelos seus laços e contratos com as multinacionais e os interesses de classe e de "carreira" de tecnocratas com uma biografia de ligações com o capital internacional. 

Se bem que exportações de produtos primários, especialmente numa era de preços elevados, geralmente crie uma balança de pagamentos favorável, no entanto o facto de que a maior parte dos bens de capital e intermediários e serviços profissionais e de tecnologia serem comprados de fabricantes estrangeiros, banqueiros e consultores resulta na infiltração em grande escala dos rendimentos para além-mar e na reprodução do atraso tecnológico interno. Os fertilizantes, produtos químicos, maquinaria agrícola, sementes e sistemas de irrigação, treino de agrónomos e especialistas locais produzidos pelos RECE para proporcionar perícia técnica e dirigir programas de extensão criariam uma economia competitiva de classe mundial com capacidade para diminuir a sua dependência de financiamento externo e decisões externas com poder para alterar os sítios de investimento e produção. 
Indicadores sociais e capitalismo extractivista 
Apesar de a maior parte dos regimes de capital extractivo prestarem homenagens verbais a "transferir os rendimentos" para programas sociais, na melhor das hipóteses a maior parte destes regimes só empenha em aumentos incrementais de gastos sociais destinados a "bolsões de pobreza extrema" e subsídios de sobrevivência. Com a excepção da Venezuela, poucos programas abrangentes a longo prazo e em grande escala são concebidos e financiados a fim de proporcionar emprego bem remunerado, cuidados de saúde e educação universais e gratuitos, pensões que cheguem para viver, alimentos a baixo custo e subsídios de habitação. Ao invés disso o gasto social é destinado a criar programas de pobreza clientelistas que servem estreitos interesses eleitorais ao invés de criar uma cidadania saudável, educada e participante. A imagem de um camponês pobre sentado sobre uma montanha de metais preciosos mantém relevância na maior parte das economias extractivistas. 

A prática comum dos regimes extractivistas é concentrar rendimento, receitas, despesas e altos salários nas cidades capital. Em contraste, as economias e regiões locais da exploração extractivas recebem uma proporção infinitamente pequena de investimentos do estado em infraestruturas sociais e económicas. 

Estradas e transportes são instalados para ligar os sítios de exploração ao seu destino além-mar, na forma dos raios de uma roda. A alternativa de um padrão "grelha" ligaria os sítios de exploração com o mercado interno, cidades e aldeias do interior, assim como a fábricas a produzirem inputs interno e processamento de matérias-primas. 

Apesar de o Estado e as multinacionais mencionarem os salários relativamente elevados que se acumulam para assalariados no sector extractivo em comparação com os trabalhadores de fora do enclave, a comparação mais relevante são os rácios trabalho/lucro dentro do enclave, o rácio dos rendimentos em relação à produtividade e ao valor gerado e o rácio de salários, bónus e pagamentos de dividendos à elite, comparados com o rendimento médlo dos trabalhadores assalariados. As disparidades entre salários de administradores e os dos trabalhadores da mineração, agricultura e energia dispararam quando os preços e lucros realizados cresceram durante a última década. 

A maior parte dos projectos de grande mineração, agricultura e energia são capital intensivos: altamente mecanizados, com grandes inputs de tecnologia avançada e empregando um pequeno quadro de engenheiros, funcionários, administradores (divididos entre estrangeiros e nacionais) e uma pequena percentagem da força de trabalho. Cada milhão de dólares investido cria um emprego. A relação capital-trabalho, especialmente após a fase inicial de construção que é mais trabalho intensiva, provoca pouco impacto sobre os desempregados. A força de trabalho voltada para a economia local de trabalho intensivo, que foi perturbada pelos investimentos extractivos, é marginalizada. Se bem que em termos agregados o capital investido na economia extractiva ultrapasse de longe o capital investido na economia local, os custos para produtores locais tanto em termos da perda de meios de vida como em rendimento e enfermidades é substancial e provavelmente conduz a um resultado líquido negativo. Por outras palavras, do ponto de vista de uma análise custo-benefício, as multinacionais e o Estado podem acumular ganhos substancias ao passo que os produtores locais sofrem uma perda líquida em termos materiais e pessoais: ruptura de laços comunitários e relações recíprocas, assim como perturbações familiares. 

As mulheres são visivelmente os grandes perdedores "invisíveis" resultantes das perturbações na economia local provocados pelo capital extractivo em grande escala. As mulheres desempenham um papel importante na agricultura familiar, artesanatos locais, têxteis, cerâmicas, tecelagem e produção leiteira bem como no marketing e comércio ligado à pequena produção de mercadorias. Quando o capital extractivo através de contratos multinacionais-Estado desloca ou mina a economia local (via contaminação) ele, quase exclusivamente, contrata trabalhadores homens, confinando mulheres a um papel marginal, forçando as jovens a migrarem, procurarem trabalho em serviços pessoais ou ocupações semi-lícitas ou ilícitas (prostituição, garçonetes). Além disso os "efeitos colaterais" muito exigentes quanto ao tempo e energia das mulheres para tratar as doenças propagadas pelo uso de produtos químicos. Uma multidão de contaminantes tem um grande impacto sobre crianças, mulheres grávidas, idosos e empregados directa e indirectamente envolvidos em ocupações extractivas de alto risco – a "enfermagem" familiar é esmagadoramente uma obrigação não paga das mulheres. Um avanço do capital extractivo significa, para as mulheres, perda de rendimento, status, vida social (marketing) e maior subordinação dentro da família. 

Os investimentos em mineração e energia trazem capital para uma região mas também acrescentam custos sociais. Para cada dólar investido, a economia regional é sobrecarregada com o custo de lidar com o influxo de criminosos, prostitutas, alcoolismo, uso de drogas, jogo, doenças venéreas, crime e outros "custos gerais" anti-sociais. Enquanto os lucros são privatizados, os custos das consequências sociais sobrecarregam a comunidade, o governo e a economia locais. 

A indústria extractiva é caracterizada por uma estrutura de classe de múltiplas camadas, altamente desigual e polarizada. Na cúspide estão as multinacionais e seus parceiros nacionais – os 1% de multi-milionários que ganham um múltiplo de todo o resto da força de trabalho. O nível a seguir de administração sénior superior é uma mistura de directores estrangeiros e locais, recrutados fora da região e que interagem com os circuitos internacionais. Abaixo deles estão os engenheiros e a administração média que operam os processos de produção diários e supervisionam as relações de trabalho – estes podem incluir também um "local" que tenha alguma experiência como antigo advogado trabalhista ou sindicalista. A seguir na hierarquia estão os trabalhadores de escritório, os quais incluem empregados regionais e transferidos de cidades. Conforme o grau de mecanização eles variam em número, até um terço da força de trabalho, com pagamentos, escala de benefícios e organizações sociais específicos que os diferenciam dos trabalhadores manuais. O extracto seguinto são os trabalhadores "estáveis" ou "permanentes" (uma categoria relativa) com contratos a longo prazo e benefícios que incluem habitação e outros subsídios. Eles constituem até a metade da força de trabalho manual. Abaixo deles estão os trabalhadores temporários com o pagamento mais baixo, maior insegurança de emprego, com poucos se é que algum benefícios e colocados no trabalho mais arriscado e insalubre. Além disso há trabalhadores temporários "migratórios" que são contratados para projectos específicos como construção de estradas, reparações e outros projectos de curto prazo. Além disso há um exército de reserva de "migrantes" desempregados que proporcionam "serviços" de dúbio valor social e produtivo e poderiam servir como fura greves. 

A segmentação do trabalho é uma estratégia dos empregadores para diminuir o poder colectivo do trabalho e fortalecer o poder de negociação do capital. A fragmentação e a competição contrapõe trabalhadores uns contra outros. O capital extractivo dissolve solidariedade e esforços na cooperação envolvendo todos os membros de uma comunidade. Na melhor das hipóteses, a solidariedade e unidade depende da capacidade de trabalhadores manuais sindicalizados forjarem ligações com as classes contíguas, assim como produtores e retalhistas de pequena escala. 

O ponto é que o capital extractivo cria poucos empregos qualificados estáveis com rendimento decente e um grande número de empregos auxiliares sem benefícios definidos e poucas perspectivas futuras, especialmente para aqueles empregados em ocupações de alto risco e sujeitas a doenças. 

A expectativa de vida em muitas ocupações extractivas é limitada. Isto significa que os ganhos no tempo de vida dos trabalhadores podem acabar por ser menores do que seriam para trabalhadores voltados para uma actividade mais saudável baseada na família. O mesmo poderia ser dito para a segurança da família: enquanto trabalhadores empregados na actividade extractiva compram aparelho electrónicos e domésticos, as doença profissionais podem levam ao afastamento prematuro, privação e rendimento mais baixo ao longo do tempo de vida (a longo prazo). 
Indicadores ambientais 
O capitalismo extractivista é provavelmente o maior poluidor do planeta e os trabalhadores mineiros e comunidades adjacentes às minas são os mais gravemente afectados. Testemunhos e estudos de ecologistas a trabalharem comunidades indígenas no Equador, Peru e Bolívia documentaram doenças generalizadas devido a fugas de petróleo, aquíferos e ribeiros contaminados e em terras agrícolas vizinha e entre residentes, especialmente crianças. Se bem que a indústria extractiva tenha aumentado os recursos do estado, os custos em termos de recursos naturais destruídos devido à poluição, infraestrutura de desenvolvimento e dano colateral para vida comunitária pesa muito na balança. Isto é especialmente verdadeiro se consultarmos taxas de mortalidade e o declínio na qualidade de vida de trabalhadores e residentes afligidos com doenças induzidas pelo capital extractivo. O âmbito e profundidade da contaminação e os custos económicos na maior parte dos casos provoca um empobrecimento das comunidades locais que vai muito além de qualquer ganho monetário acumulado devido aos salários de uma força de trabalho reduzida. 

A mentalidade dos capitalistas extractivos, voltada unicamente para a exploração de matérias-primas, leva-os a tratar com arrogância a actividade económica pré existente. A agricultura local, o cultivo de víveres básico e criação de gado, são devastados quando os produtores locais são deslocados, a água para irrigação é desviada para as minas e plantações, e as estradas e mercados são congestionados pelo transporte pesado. Os venenos químicos minam a saúde de produtores locais. A irrupção do capitalismo extractivista é combinada com a ruptura da produção local, com graves deslocações sociais e um aumento na marginalidade social. Quando as minas crescem em dimensão e receitas, a economia familiar declina. 

Afirmações de advogados do capital extractivo de que a força de trabalho deslocada da produção familiar será reabsorvida em novos empregos criados pelo sector da mineração constituem a excepção e não a regra. O trabalho agrícola intensivo, o artesanato e a criação de gado empregam muito mais trabalhadores, de ambos os géneros, do que o capital intensivo do sector mineiro. Além disso, o complexo acidentes-doenças que acompanha a mineração cria um ciclo de trabalho mais curto, trabalhadores postos de lado tornam-se um fardo em famílias com rendimento em contracção e recursos em declínio. O resultado líquido é que o capital extractivo beneficia da maior parte do tempo produtivo do ciclo de vida e à comunidade/família é imposto o custo da manutenção do trabalho na sua fase menos produtiva. 
Indicadores políticos 
As decisões referentes à entrada, localização, condições de operação, impacto ambiental do capital extractivo são tomadas através de acordos entre uma pequena elite de executivos na capital e os administradores principais da multinacional. 

Um exame das estruturas de tomada de decisão revela a exclusão daquelas comunidade, cidadãos locais e líderes mais afectados. A iniciativa de investir é habitualmente influenciada por uma combinação de incentivos e concessões da elite – às custas do tesouro local – e concessões de terra em termos favoráveis à multinacional. Pouco cuidado é tomado com impactos locais sobre condições de vida, saúde e sistemas produtivas pré existentes. A estrutura da tomada de decisão é centrada na elite, urbana e corporativa; os estudos de impacto ambiental são executados por "consultores" patrocinados pela elite que invariavelmente aprovam projectos lucrativos. 

A participação cidadã inicialmente é mínima, especialmente em relação ao âmbito, concepção e operações de projectos extractivos. Contudo, quando o projecto avança para o status operacional, cidadãos, comunidades e sectores vastos da sociedade civil são mobilizados a vários níveis. A influência negativa sobre a economia existente, o impacto danoso sobre o ambiente, a distribuição de rendimentos desigual, os baixos níveis de emprego local, a pequena contribuição para o bem estar da comunidade e outras questões relacionadas levantam a ira da comunidade local e frequentemente levam a protestos em massa. 

O padrão típico é aquele em que as elites decidem e as comunidades locais respondem. Confrontado com oposição tenaz o regime responde com violência – repressão do estado – apoiando o poder, privilégios e prerrogativas dos capitalistas extractivos. Em segundo lugar, confrontado com a oposição generalizada, o regime a multinacional tenta negociar e cooptar líderes locais, fazendo concessões limitadas respeitantes a projectos sociais locais, mas nunca abrindo mão do acordo básico da elite ou da estrutura de tomada de decisão. São escolhidos "grupos consultivos" simbólicos mas sem qualquer poder para rever ou controlar o processo de extracção. 

A estrutura de tomada de decisão que acompanha a entrada do capital extractivo e os termos de exploração é altamente centralizada e autoritária. Em contraste, a oposição local a escala de participação dos cidadãos locais é elevada, assumindo a forma de assembleias, debates, formulações de políticas e acção social tendo em vista a resolução por negociações. 

Eleições e debates dão pouca ou nenhuma atenção à entrada do capital extractivo. Tecnocratas, banqueiros e investidores não eleitos desempenham o papel dominante fora do domínio público sem qualquer supervisão democrática. Em contraste a oposição comunitária é conduzida por líderes eleitos, com um mandato (revogável) de uma assembleia geral e responsáveis perante uma reunião de eleitores. 

Os decisores da elite estão preocupados exclusivamente com decisões a curto prazo referentes aos mais baixos custos para explorar, extrair e transportar recursos primários. Eles deixam para a comunidade local o enfrentar dos desastres a longo prazo que habitualmente se abatem em consequência da erosão: deslizamento de terras, colapsos de montanhas de escórias, inundação subterrânea e outras adversidades a "longo prazo". Em contraste, as comunidades locais estão preocupadas com efeitos a longo prazo e decisões estratégicas que terão impacto sobre a sobrevivência a longo prazo e a prosperidade local. Há um conflito básico de interesses entranhado no relacionamento entre o capital extractivo e seus patrocinadores no estado central e comunidades locais, sociedade civil e movimentos indígenas. 
Conclusão 
O capital extractivo na sua estrutura realmente existente, nas suas operações em impacto tem um efeito agudamente polarizador, quando medido por indicadores económicos, sociais, ambientais e políticos precisos. 

A chave é a desigualdade: a distribuição desigual de benefícios e custos, a distribuição desigual de poder político e os custos desiguais da poluição ambiental. A desigualdade deriva da concentração do poder económico nas estruturas internacionais hierárquicas do capital, reforçadas e ampliadas pelo executivo político local (o regime) que impõe por decreto os termos pelos quais o capital extractivo explora recursos naturais. As comunidades locais e o trabalho enfrentam o maior custo em termos das consequências adversas de uma economia baseada nos recursos naturais, que acumula a fracção mais pequena dos lucros e rendimentos e as maiores perdas em termos de saúde, cidadania e cultura cívica. As fortunas contrastantes entre o capital e o trabalho são mais agudas nas "cidades da companhia" onde o "controle total" virtual pela multinacional e o estado força comunidades a mobilizações em grande escala para corrigir um mínimo de injustiças diárias. 

Enquanto o sítio da exploração provoca conflito, a resolução do mesmo depende em grande parte da capacidade de cada lado de mobilizar apoio político mais vasto nacional e internacional. As multinacionais mobilizam suas ligações junto aos sectores "financeiro-import-export", a comunidade local mobilizar as capitais provinciais e aldeia e os partidos urbanos de esquerda, sindicatos e ONG ecológicas. 

A resolução do conflito depende da força das partes contendoras. O resultado tem consequências vitais não só para aquelas comunidades directamente afectadas mas sobre toda a estrutura da economia e da estrutura de classe. O capital extractivo no comando tende a polarizar a sociedade em dois; cria uma economia "mono-cultural" vulnerável a ciclo (mega ou não); reduz a participação cidadã; acentua fluxos especulativos de capital para e a partir de commodities.


O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=1895 

miércoles, 25 de mayo de 2011

América LATINA: La tendencia al estancamiento. Una Nueva visita - Pierre Salama

Revista Globalizacion
Febrero de 2004 
 
En los años ochenta, las principales economías latino-americanas rompieron con la tendencia al crecimiento fuerte de los años cincuenta a los setenta, y conocieron dificultades muy grandes. El servicio de la deuda externa se elevó en muchos puntos del PIB y se tradujo en la transferencia neta de capitales de estos países hacia los bancos de los países desarrollados. Aún sin asegurarse enteramente, este servicio de la deuda, a partir de un molde inflacionista, provocó una aceleración en el alza de los precios y en muchos países se desarrolla la hiperinflación, que persiste aunque se la quiera evitar, y en algunas excepciones toma un carácter explosivo. El crecimiento per cápita durante el período es negativo o próximo a cero. Cae la tasa de inversión y presenciamos un ascenso en la potencia de las acrtividades financieras concentradas en la compra de bonos del tesoro. La distribución del ingreso, cada vez más desigual, se traduce en una polarización del ingreso en detrimento de las capas más modestas y de los dos tercios de las capas medias. La pobreza, y la pobreza extrema, aumentan. El conjunto de estas características se inscriben en un contexto de reclamos de proteccionismo pero de pérdida de la eficiencia del Estado, de pérdida de credibilidad en sus políticas económicas, dedicadas a pagar una parte significativa del servicio de la deuda externa.
En los años noventa. estas economías conocen un repentino y rápido proceso de liberación del conjunto de los mercados: liberación brutal en las cuentas de bienes y capitales en sus balanzas de pago; retirada del Estado de lo económico (reducción substancial de los subsidios a la industria, sobre todo a la de exportación, después, privatización masiva, lucrativa para los intereses privados, nacionales y extranjeros (fuente de un crecimiento de la corrupción), reducción masiva de préstamos que se bonificaban con las alzas de las tasas de interés, que supuestamente trataban de reducir la presión financiera. La liberalización más retrasada, y probablemente más prudente, del mercado de trabajo, se caracterizó a la vez por una precarización creciente en la utilización de fuerza de trabajo, y niveles de vida caracterizados esencialmente por una separación entre los salarios reales y la productividad del trabajo.
Esta liberalización de los mercados da credibilidad a la nueva política económica ante los mercados financieros internacionales y locales. La hiperinflación desaparecía con la relativa estabilización de las tasas nominales de cambio. Todavía más, éstas últimas tienden a apreciarse con el flujo de capitales especulativos atraídos por políticas de tasas elevadas, con la seguridad también de que podrían repatriar sus capitales con costos muy débiles en las transacciones, acelerando la apreciación de las tasas reales de cambio, provocada por la rápida reducción de la estimación de su inflación con respecto a los países desarrollados. El fin de las hiperinflaciones mejoró por un breve tiempo el ingreso de las categorías más modestas, y los pobres entre los pobres conocieron un aumento sensible de su poder de compra. El rango de pobreza se encoge varios puntos. Este mejoramiento del poder de compra, de la reducción del ahorro y del préstamo en otras capas de la población más desahogadas , inflan la demanda final, disminuyen las capacidades de producción ociosas, y el crecimiento—si es que estaba ausente-- tiene un nuevo despegue, sin el esfuerzo de nuevas inversiones, al menos al principio. Los mecanismos keynesianos que permitieron este retorno, han sido descritos muchas veces y no insistiremos en eso.
Los efectos de esta libertalización estuvieron lejos de corresponder a las expectativas.
Ciertamente, la hiperinflación ha desaparecido y estas economías se encuentran en armonía con el período no inflacionista que conocieron las principales economías desarrolladas y las economías semi-industrializadas de Asia desde comienzos de los años ochenta, sólo que con diez años de retardo. Pero es necesario constatar muchos puntos negativos: en primer lugar, la tasa de crecimiento medio del decenio de los años noventa está muy atrás de las tasas de crecimiento medio de los años 50, 60 y 70. hasta la crisis de la deuda de 1982. Por un conjunto de razones que convendrá analizar, estas economías no llegan a conocer un aumento sensible y sobre todo durable, de la tasa de crecimiento, a inversa de lo que se observa en numerosos países asiáticos. En segundo lugar, el regreso del crecimiento después de los años noventa no condujo a un mejoramiento en la situación de los más pobres, a excepción de los dos primeros años de estabilización relativa de los precios. Una vez pasados los primeros efectos positivos producidos por el fin de la hiperinflación, se observa una clara dificultad en la reducción de la pobreza. Con excepción de Argentina en los años 90, se puede anotar que el proceso de polarización se ha atenuado y que las desigualdades de ingreso, situadas en niveles extremadamente elevados, no crecen de manera significativa, salvo en períodos de abierta crisis y en las antesalas de alguna retoma económica.
.La tercera característica de este régimen de crecimiento instituido en los años 90, es una fuerte volatilidad de las tasas de crecimiento que, a diferencia de la observada en la década perdida de los años ochenta, es menos elevada y se sitúa en una tendencia ligeramente creciente en el período. Sin embargo, esta volatilidad no toma las mismas formas en Brasil, en Argentina o en México, tres economías cuyo peso en América Latina es determinante. Esta volatilidad tiene efectos incubadores muy importantes: el aumento en la amplitud de la pobreza prosigue aún en los primeros años del relanzamiento económico, y habrá que esperar algunos años para que este proceso cese o se invierta.

En cuarto lugar, estos regímenes de crecimiento se caracterizan por una internacionalización financiera muy pronunciada: la apertura repentina de la cuenta en capitales de la balanza de pagos, inserta inmediamente a estas economías en lo que se ha convenido el llamar "la economía mundo", en tanto la brutal liberación de la cuenta en mercancías no llega a alcanzar, con excepción del caso mexicano, la ubicación de las economías abiertas, y las tasas de apertura, si bien elevadas, siguen siendo relativamente modestas. Es esta dominancia financiera de su régimen de crecimiento lo que confiere a la evolución del PIB una fuerte y singular volatilidad, en la medida en que las dos vertientes de la economía, la "real" y la "financiera", tienen sensibilidades diferentes frente a los choques externos. La obligación de atraer capitales, cuando éstos son insuficientes frente a las necesidades de financiamiento, o de frenar la fuga de capitales, incitan a los gobiernos a alzar considerablemente las tasas de interés, variable de ajuste privilegiada, generadora de recesión o de su agravación cuando ésta ya se ha hecho presente.

Uno puede caracterizar estos regímenes de crecimiento por tres rasgos: una dominancia financiera fuerte y singular, una reducida intervención del Estado en lo económico y una reproducción de las desigualdades a un alto nivel.
El objeto de este artículo es mostrar que estos regímenes de crecimiento con dominancia financiera provocan una tendencia hacia el estancamiento que uno podría caracterizar como ondulatoria. Se la puede observar empíricamente, aunque ha sido poco teorizada. Inspirándonos en los trabajos de la CEPAL en los años sesenta, y más particularmente en los de Celso Furtado, mostraremos el modo específico de crecimiento que marca a estas economías, desde comienzos de los años noventa. Favorece al lado rentista, ya presente de los inversionistas, y conduce a un débil crecimiento per cápita. Este crecimiento es volátil. La volatilidad actúa rebotando sobre el crecimiento, y socavándolo.
I. La tendencia hacia el estancamiento.
La tesis sobre la tendencia al estancamiento ha sido desarrollada por la CEPAL y más particularmente por Celso Furtado. Esta tesis explica que la tendencia al estancamiento tiene dos orígenes: el primero proviene de la imposibilidad de proseguir con el proceso de sustitución de importaciones pesadas en razón de la rigidez creciente de la estructura de las importaciones. La presión externa, ayer fuente de dinamismo ("el crecimiento impulsado por el mercado interno") se transforma poco a poco en su contrario. La prosecución del proceso suscita en efecto importaciones de equipos y de productos intermedios de modo que en un momento el valor de los bienes importados sobrepasa al de los bienes que se trata de sustituír, mediante una producción local. Si el país no llega a endeudarse de modo suficiente, la falta relativa de divisas hace imposible la integración de la conversión de dinero en capital en el sector industrial, ya que se hace imposible importar bienes de equipo en cantidad suficiente. El aumento relativo de los precios de producción que de ahí resulta, hace todavía más costosa la inversión en la industria, y el dinero se orienta entonces hacia otros lugares de valorización, que necesitan menos de las importaciones, como el sector inmobiliario, y hacia el consumo de productos llamados de lujo (bienes durables, inmuebles), y lo menos hacia inversiones en el sector industrial. Flaquea la tasa de crecimiento bruto en la formación de capital fijo, crece el consumo improductivo , quedan afectados los precios relativos, y se acentúa el comportamiento rentista entre los empresarios.
La deformación de los precios relativos favorece el crecimiento de la especulación sobre los inmuebles. La fragilidad de una tal demostración está en que ella presupone que hay obstáculos que impiden la contratación de empréstitos externos. Para la época esto es erróneo, ya que estos países iniciaron en los años setenta una fuerte operación de endeudamiento externo a favor de la sobreliquidez de la economía mundial, luego de la elevación de los precios del petróleo y del aparecimiento de los petro-dólares.
La segunda razón para la tendencia al estancamiento, más original, explica la debilidad en las tasas de crecimiento esencialmente por evoluciones divergentes de la demanda de bienes durables, de sus inputs y de bienes de equipos y de la oferta de estos bienes. Del lado de la demanda de estos bienes, la responsabilidad principal recaía en la muy fuerte desigualdad de los ingresos, mantenida por el modo de crecimiento de sustitución de importaciones de bienes pesados. Del lado de la oferta, la influencia más fuerte que en el pasado de la presión tecnológica internacional, se traduce en un aumento de la dimensión óptima de producción, y a pesar del nivel de proteccionismo relativamente elevado, las economías permanecen poco abiertas. Las dimensiones de la demanda y de la oferta de estos productos específicos (bienes durables pero también bienes intermedios y bienes de producción necesarios para su producción), no se someten a la misma lógica o tienden a no corresponderse. O bien, se trata de productos más dinámicos, caracterizados por una fuerte elasticidad de la demanda con relación a los ingresos, y susceptibles de tener considerables efectos de captura – a contracorriente o a favor de ella—sobre el resto de la economía. Veamos más precisamente esta contradicción.
La curva de la demanda no es lineal sino quebrada. La demanda se caracteriza por su angularidad. Según la expresión de Sweezy, la demanda sería "quebrada": siendo muy pronunciadas las desigualdades de ingreso, las capas de bajos ingresos (la mayor parte de la población) no pueden acceder a bienes durables importantes, sobre todo a esos producidos por la industria automovilística. Es por eso que en la literatura, uno puede nombrar esos bienes como "bienes suntuarios", retomando así la expresión de Ricardo, a fin de oponerlos a los bienes "obreros", o bienes de consumo no durables. La originalidad de la aproximación de la CEPAL está en que más allá de las razones históricas que estén en el origen de estas profundas desigualdades (modos de colonización o de poblamiento de estos países), la deformación en la distribución de los ingresos se explica en lo esencial por el régimen de crecimiento adoptado.
A: una pequeña vuelta atrás :
La industrialización acompaña a la economía exportadora. Ella es más o menos importante según la naturaleza del producto exportado, y la intensidad del comercio con las economías del Centro. Viene de la monetarización (industria de bienes de consumo), del mantenimiento de infraestructuras (industrias mecánicas), y de economías de agregación ligadas a ciudades (industrias de la construcción). Se frena por los dictados de las economías del centro que temen una concurrencia sobre sus productos y la consolidación en esos países de motivos para poner en duda su dominación. Ella utiliza una mano de obra inmigrante de origen europeo, y relativamente muy pocos campesinos: Fue menos el caso, cuando la industrialización, luego de la grave crisis de los años treinta, que conocieron bien los países del Centro, se desarrolló después de una fase de crisis. La mano de obra inmigrante y la que vino de los campos poco monetarizados, será utilizada en pequeñas empresas de débil intensidad capitalística.
A la primera fase de sustitución de importaciones ligeras le corresponde pues un fuerte proceso de monetarización: los campesinos migran hacia las ciudades y ofrecen su fuerza de trabajo no calificado a una industria productora de bienes de consumo y de producción simple. El espectro de los ingresos de estos trabajadores es débil y uno ha podido caracterizarlo como "horizontal", para distinguirlo de lo que va a seguir con la puesta en escena de una industria más sofisticada, productora de bienes intermedios, y de producción de bienes de consumo durable. Esta nueva fase se caracteriza por una sustitución de importaciones pesadas. La fuerte intensidad capitalística se acompaña de una profunda diferenciación de la mano de obra absorbida: los espectros de calificación se amplían, y con esto el de los ingresos salariales. De manera significativa comienza a aparecer una demanda particular, la de las capas medias en expansión (técnicos, ingenieros) generada por este tipo de industrialización más pesada y sofisticada, que demanda más y más bienes de consumo durable. El crecimiento de la mano de obra flaquea y como el proceso de monetarización prosigue en razón de la atracción de las ciudades, de la expuslsión económica de los campos poco monetarizados, la mano de obra en exceso ocupa empleos informales, poco remunerados. Bajo esta configuración, la distribución de los ingresos tiende a hacerse "vertical". Las desigualdades aumentan a partir de un umbral ya elevado, y las razones de esta elevación ya son endógenas al sistema de crecimiento adoptado. En tanto las demandas de las capas medias armonizan con las dimensiones de la oferta de bienes durables. (1) El círculo desencadenado por este tipo de industrialización es virtuoso. Y llega un momento en que los ingresos de un treinta a cuarenta por ciento de la población no son suficientes para enfrentar el crecimiento de las dimensiones óptimas de la oferta de bienes durables y de sus inputs (productos intermedios y equipos) (2).
Esta evolución divergente de las estructuras de la oferta y de la demanda de estos productos está en el origen de importantes capacidades de producción ociosas. El mayor peso de los costos unitarios que resulta de esto, puede entonces ser parcialmente compensado por un alza de sus precios (alimentando así la inflación estructural), permitido por el grado de protección elevado del que se benefician estas economías. El alza de los precios relativos de los equipos con relación a los bienes de consumo no durable, hace que la inversión sea más costosa. Estamos entonces en presencia de un prejuicio en el "uso del capital" en el sentido de Robinson, prejuico que afecta negativamente la rentabilidad del capital ya que frena las posibilidades para un crecimiento elevado. (3)
El proteccionismo, aún siendo elevado, no es sin embargo el de la autarquía, ya que existen limites al alza de los precios relativos que pueden ser insuficientes para asegurar una tasa de valoración mínima. Desde entonces uno se encuentra ante la siguiente paradoja: las empresas son obligadas a invertir en tecnologías que, si no son de punta, son al menos sofisticadas, aún cuando sean de segunda mano, y que al ponerse en marcha, e igualar las cosas, reducen sus márgenes, como ya habíamos señalado. Esta reducción es sin embargo menor, como si no se hubiera hecho todo eso. Resulta que las empresas están ya debilitadas y constituyen presas más fáciles para los inversionistas extranjeros. De partida, el alza de los precios relativos de los bienes de equipo en relación a los bienes de consumo no durables, introduce un "prejuicio en el uso del capital" de tal naturaleza que debilita la rentabilidad del capital invertido y, al hacerlo, el del crecimiento. Por estas dos razones, la tendencia a la baja de la rentabilidad alimenta una tendencia al estancamiento económico.

Estos dos resultados son importantes. Se trata de la primera demostración en la literatura del desarrollo de la existencia de elevadas capacidades de producción ociosa, y a la vez, del mantenimiento de una inflación fuerte, llamada estructural, en los años sesenta y setenta. La inflación relativamente elevada, y la existencia de fuertes capacidades de producción ociosas, no encontraron en efecto explicación científica satisfactoria que no fuera la de los neoclásicos (una demanda demasiado elevada que convendría disminuir, y una asignación de los recursos de un modo no óptimo que habría que corregir mediante una especialización según ventajas comparativas). Esta aproximación de la CEPAL permitía a la vez comprender por qué las industrias experimentaban una presión tecnológica que las obligaba a elegir técnicas "de uso de capital", entre un espectro de técnicas reducidas a la alta intensidad tecnológica, y por qué, sin embargo, esta elección conducía a un despilfarro de capital y a una rentabilidad del capital en caída por estas capacidades ociosas, rentabilidad sin embargo, más elevada que si esa elección no se hubiera hecho. En fin, esta interpretación permitía comprender por qué la inflación resultaba de rigideces estructurales y no de un exceso en la demanda global.
B. Los límites y los aportes:
Hasta aquí pareciera que esta "tendencia" al estancamiento vendría a ser como la tendencia a la baja de la tasa de ganancia de Marx. Pudiera ser lo opuesto. A diferencia de la tesis de Marx, las fuerzas que pudieran contrarrestar esta tendencia no son producto de fuerzas en el origen de este movimiento. Le son externas, y dependen, entre los estructuralistas, de decisiones públicas. Según la CEPAL, esta tendencia podría ser contrarrestada por una redistribución de los ingresos a favor de las capas más modestas, una reforma agraria y una acción más sostenida del Estado, gracias a la adopción de una política de cambios, y en fin, una planificación clara.
Venimos de ver cuan original era esta tesis. Paradójicamente "el milagro económico brasileño" (fines de los años sesenta y años setenta) no contradijo la justeza de este análisis. El advenimiento de la dictadura permitió una redistribución de los ingresos a favor, en un primer tiempo, de las capas medias, y la valoración del capital entre los sectores más dinámicos de la industria. Éstas son algunas palabras para describir este proceso: La fuerte caída de los ingresos de los obreros (del orden del cincuenta por ciento a comienzos de la dictadura) va a reducir fuertemente los costos salariales sin afectar la demanda de esos sectores dinámicos en la medida en que los obreros no constituían una demanda de bienes durables. Las posibilidades reencontradas de crecimiento de ese sector ampliaban la dimensión de la demanda de bienes de consumo durables en la medida en que la estructura del empleo favorecía la utilización de una mano de obra calificada con poder de compra más elevado. La "verticalización" de la distribución del ingreso analizada más arriba tiende a acentuarse y con ella aumenta el peso de las capas medias y su demanda por bienes durables. Esta estructuración diferente del tejido industrial, a favor de este sector más dinámico que se ha encontrado, suscita una demanda fuerte de bienes de equipo (de bienes intermedios provistos por el Estado) y frena el alza de los precios relativos, o lo inverso, según los casos y la duración del proceso. Es cierto que la demanda de bienes no durables, menos dinámica, recibirá el contragolpe de esa baja del poder de compra durante numerosos años. La letargia que caracterizará a las empresas de ese sector las debilitará y muchas de ellas llegarán a ser presa fácil de los inversionistas extranjeros. Pero al reencontrar la revalorización, junto con un desarrollo del sector de servicios, (marketing, créditos a mediano plazo) favorecerá la captura de cuadros cuyos niveles de ingreso inflará la demanda de esos bienes. Así, tanto desde la demanda como de la oferta, se echará a andar un círculo virtuoso. La redistribución del ingreso será así permitida mediante una mayor explotación de los obreros, un ascenso de las capas medias y la correspondencia que se da entre la dimensión de esta oferta y la dimensión de esta demanda en un proceso virtuoso endógeno, que opera a medida que el Estado siga interviniendo en los sectores más pesados (productos intermedios y energéticos). La aproximación colbertista de la intervención pública de la dictadura brasileña, a inversa de la dictadura argentina caracterizada por el muy fuerte monetarismo, permite esta armonización.
La tesis de la tendencia al estancamiento permite comprender lo esencial del "milagro" económico del Brasil y la lentitud económica de Argentina hacia la misma época. Sin embargo, el crecimiento muy fuerte del Brasil puso también en relieve algunas insuficienias de esta tesis. Ya lo indicamos en una nota: la demanda de bienes durables es endógena, y analizada de manera relativa, la de su oferta es exógena (dependencia tecnológica), y presentada de manera absoluta. Es exacto que la aproximación de la demanda en términos relativos se traduce en términos absolutos, pero así no deja de ser cierto un deslizamiento en el análisis, deslizamiento que debilita el razonamiento cuando muy puntualmente se puede observar una armonía o una desarmonía entre las respectivas evoluciones de su dimensión. Habría sido preciso analizar primero las dimensiones absolutas y en seguida sus evoluciones potenciales mediante la distribución de ingresos en un caso, y la limitación externa en el otro. Y éstas difieren según los países: Brasil, México o Argentina, a pesar de las desigualdades muy importantes entre los dos primeros, tienen un mercado para numerosos bienes durables, comparable al de numerosos países europeos, y tal no es el caso de Chile ni de Colombia. Y éstos difieren igualmente según los bienes durables: la producción de estos bienes precisa de una dimensión tal, que no puede ser emprendida en cualquier país. Al presente, podemos admitir que una intervención del Estado, directa o indirecta, puede permitirle el acceso a ciertas industrias de grandes dimensiones, en las que las pérdidas se socializan. Es lo que en esta época explica la presencia del Estado en el sector pesado, y por otro, la incapacidad de las bolsas para centralizar suficientemente los capitales que pongan en plaza a las industrias de este sector.
Una segunda debilidad, ligada a la precedente, es la de no haber considerado los bienes de consumo durables según su accesibilidad a la demanda de capas modestas o pobres. Se sabe hoy que toda una serie de bienes, como los refrigeradores por ejemplo, son accesibles a una fracción importante de quienes son definidos como pobres. Una tercera debilidad es no haber dado suficiente importancia a las condiciones de la producción, El análisis parece quedarse a menudo en el nivel de la circulación (la oferta de una industria frente a la demanda de un segmento de la población). Nosotros lo hemos señalado al plantear de antemano el aumento repentino e importante de la tasa de explotación de los obreros, e indicamos que esto permitiría una reducción de costos, y con eso una mejor valorización en las ramas dinámicas de las industrias, pero también, de una manera derivada, del ascenso de capas medias, llevadas por el empuje del sector (siendo diferente la composición de las calificaciones en este sector que en el sector de los bienes ligeros, y más importante, la parte de los trabajadores calificados) y por la aparición de un sector de servicios (marketing y créditos a corto plazo). Es este desarrollo consecuente de las capas llamadas medias lo que nos condujo (Salama 1976) a calificar al régimen de acumulación tanto por su capacidad para excluir de los beneficios del crecimiento a gran parte de la población, o darle beneficios marginales, como por esta "tercera demanda", cuya armonía con el sector de bienes de consumo durable, daba lugar a un círculo virtuoso de crecimiento.
Pero antes de analizar este aspecto hoy por hoy esencial, conviene cerrar provisoriamente este paréntisis y continuar tratando los aspectos "reales".
La tesis de la tendencia al estancamiento sigue siendo pertinente por diferentes aspectos: las fuertes desigualdades hacen difícil un aumento de las tasas de formación bruta de capital, y esta última se "estanca" en un débil nivel si se la compara con las tasas alcanzadas en las economías asiáticas, caracterizadas por menores desigualdades. Esta importante desigualdad permite a más o menos un 30% de la población tener un nivel de ingresos más o menos equivalente al que corresponde a las mismas capas de los países llamados desarrollados. Ella alimenta un comportamiento "rentista" en tanto las tasas de valoración del capital muestran ser satisfactorias. En tanto esta desigualdad no es contrabalanceada por une intervención consecuente del Estado en la esfera económica (activa política industrial), se puede asegurar que los factores que favorecen una tendencia al estancamiento continúan predominando. Es este sentido, la tesis sobre la tendencia al estancamiento en los años sesenta-setenta, conserva una fuerte pertinencia y puede servir de base a la elaboración de una nueva teoría del estancamiento.
II. Hacia una nueva teoría de la tendencia al estancamiento
A. Desigualdades que conforman un comportamiento rentista:

La posición desarrollada en este estudio es post keynesiana. La oferta y la demanda están separadas y son dependientes. La demanda está primero, y que se sepa proviene tanto de mercados interiores como exteriores. Según este curso, los empresarios evalúan la demanda, y si las coindiciones de valoración se consideran satisfactorias en términos tanto absolutos como relativos, si el financiamiento de la inversión no encuentra obstáculos (tasas de interés demasiado elevadas, cargas sobre su deuda que supere un umbral juzgado peligroso, etc), ellos invierten. El aumento de la inversión produce un crecimiento de los ingresos, generadores de un ahorro suplementario. Se reconoce aquí el razonamiento keynesiano clásico. Es un razonamiento de este tipo el que permite comprender en parte la fuerte coyuntura de los EEUU en los años noventa: en el nivel doméstico hay un comportamiento de gastos extravagantes (la demanda efectiva es ya elevada y crece), alimentados por una fracción de este nivel que tiene anticipaciones favorables en cuanto a la evolución de su patrimonio virtual, debido al alza en la bolsa de valores, de los precios de los bienes inmuebles, que permiten un aumento de la plusvalía a través de la venta de acciones que se destina al consumo, o por las posibilidades de préstamos importantes. La demanda impulsa a la oferta, todavía más, si las condiciones de valoración requeridas son satisfactorias. A la inversa, se podría considerar que un comportamiento que favoreciera al ahorro, habría frenado el crecimiento. Ya que el financiamiento de la inversión se habría relajado. Se sabe igualmente que el ascenso en el crecimiento de Corea y Taiwán a fines de los años cincuenta, no se debió a la apertura de sus fronteras ni al crecimiento de sus exportaciones (Rodrik,2001), a contrario de lo que piensan los economistas del "mainstream". La inversión ha estado primero, y se materializó por importantes importaciones de bienes de equipo, y es sólo después cuando la parte de las exportaciones en el PIB crece. El crecimiento ha precedido al aumento de las exportaciones. La inversión masiva, fuente del crecimiento, ha sido posible porque la balanza comercial ha sido deficitaria, y porque la ayuda del estado ha sido directa o indirectamente masiva. Esta indicación no se hace con el objeto de excluir el papel de los gastos externos en el crecimiento. Estos pueden alimentar la inversión posteriormente y tonificar el crecimiento.
Sabemos que la industrialización en América Latina ha sido posible gracias a la constitución de un mercado interno, que respondía a presiones externas en alza. La migración de los campos a las ciudades proporcionaba la mano de obra asalariada y dinamizaba en una primera etapa la demanda de bienes de consumo y de productos livianos. Lo que sobre todo importa en este proceso es que esta migración y estos salarios se traducían en una monetarización de la fuerza de trabajo. Ésta actuaba como una demanda adelantada, un poco como el desplazamiento de la frontera del Oeste en el siglo XIX, que explica la industrialización de EEUU.
La industrialización lationoamericana ya no genera un proceso de este tipo: las economías se han monetarizado y la reproducción de la fuerza de trabajo en lo esencial pasa por el mercado. Ya no hay pues "reserva"de ese tipo posible, habiéndose alcanzado la frontera de la monetarización. A priori quedan dos posibilidades: sea que el ingreso aumente e impulse una renovación en la dinámica del capital, o sea que el mercado externo vuelva a ser accesible. Estas dos posibilidades no son excluyentes la una de la otra. Todavía más, la dinamización de la una pasa por la dinamización de la otra, y sería vano elegir una opción independiente, en razón del contexto de globalización. Para decirlo más claramente, esto significa que una redistribución de los ingresos susceptibles de aumentar el poder de compra de las categorías modestas y pobres y de dinamizar las industrias correspondientes, no es viable a mediano y a largo plazo a menos que se tomen en cuenta las limitaciones a la competitividad. El crecimiento del mercado interno pasa por el crecimiento del mercado externo. Es esto lo que torna difícil el cambio de régimen de crecimiento. Hecha esta indicación, analicemos algunas especificidades producidas por las fuertes desigualdades en los ingresos.
Como habíamos señalado antes, estas economías se caracterizan por sus muy fuertes desigualdades en los ingresos. La industrialización ha provocado una modificación en las estructuras de las desigualdades. Polarizada con una distancia considerable entre el ingreso del 5% más rico y el resto la la población monetarizada, luego de la fase exportadora, la estructura de los ingresos ha evolucionado con la industrialización: en un primer tiempo, la concentración de los in gresos es "horizontalizada", y en un segundo tiempo, es "verticalizada". Se ha pasado de una bipolarización a una estructura tripolar: el 5% de los más favorecidos, el 30% que le sigue y en fin, de manera heterogénea el resto de la población. Esta descomposición de la población pareciera identificar la formación social: primero, los notables, grandes propietarios industriales y terratenientes; en seguida las capas medias y finalmente, los obreros y los campesinos, pero a la vez conduciría a una aproximación sociológica de la formación social, al menos primaria y superficial. Sea lo que fuere, esta aproximación tripolar de la demanda pareciera corresponder igualmente a una aproximación tri-sectorial de la oferta: los bienes de equipo son demandados por las empresas, los bienes de consumo durables por el 35 al 40% de la población más favorecida y los bienes de consumo no durables por el 65% restante, legitimando una aproximación teórica por grandes secciones (bienes de capital, "de lujo" y "obreros"), a partir de ecuaciones de reproducción revisitadas por Kalecki. Aunque rica, esta aproximación es algo reductora: el 5 ó 10% de la población más rica dista de tener un comportamiento inversor agresivo; los bienes de consumo durables llegan a ser en parte "bienes obreros", y cesan de ser exclusivamente "bienes de lujo", sobre todo aquéllos que no tienen un precio muy elevado. En efecto, teniendo en cuenta el ingreso medio de la población, muy inferior al de los países desarrollados, y considerando por otra parte el nivel de ingresos del 30 al 35% de la población de estos países con igual proporción en los países desarrollados, aún cuando la estructura de sus gastos sea diferente, la distancia de sus ingresos con los del 65% de la población restante, y es matemáticamente mucho más importante que en los países desarrollados. Es esta circunstancia la que explica la dificultad para un número de bienes durables, como para los automóviles, para "proletarizar"su oferta, ya que no encuentran demanda solvente en esta fracción de la población, a diferencia de lo que se ha podido observar en los países desarrollados. Es esto también lo que explica que cuando se reduce el mercado de manera absoluta y de manera relativa con relación a las limitaciones dimensionales de la oferta.
Las expectativas de crecimiento para este tipo de bienes son limitadas, y se puede asistir a la paradoja de una valorización satisfactoria del capital y de una reinversión débil, y a los capitales, prefiriendo salir del sector o del país, porque las perspectivas de expansión de ese mercado son poco favorables. La Argentina de los años noventa ilustra este tipo de comportamiento: valorización elevada del capital en las grandes empresas, repatriación de considerables ganancias hasta el abandono del plan de convertibilidad.
Hemos evocado la estructura de los gastos de las capas altas y medias. Esto reviste importancia en los modos de consumo y de ahorro de esta capa heterogénea y favorece un comportamoiento rentista. El régimen de crecimiento con dominancia financiera tiende a producir una nueva modificación en la estructura de los ingresos. Más exactamente, el nivel de las desigualdades permanece más o menos estable en un nivel alto, pero aparece una nueva tendencia a la bi-polaridad. El 5 a 10% de la población más favorecida conoce de un aumento en la parte de sus ingresos en relación al ingreso total; el treinta a cuarenta por ciento que sigue, se caracteriza por una fragmentación de sus ingresos: los que tienen ingresos más elevados siguen la evolución del 10% superior, pero con una rapidez menos fuerte que los anteriores; el sector que sigue, conoce un empobrecimiento relativo. Un proceso parecido al que está teniendo lugar en EEUU: las capas medias pierden su importancia y la sociedad se aproxima a la de comienzos del siglo XX. Es esa la sociedad que frecuenta Gasby, el héroe de la novela de Fitsgerald, recuerda Krugman, sociedad caracterizada por numerosos empleos de servicio, cerca del 5 al 10% más rico de la población. Este "regreso" manifiesta una regresión social importante. La única diferencia con los EEUU es que el proceso opera en América Latina a partir de un nivel de desigualdades ampliamente superior al de los EEUU. Una cifra permite aclarar esto: en 1998, según el BID, el coeficiente de Gini del 100% de la población era de 0.38, y el del 9% de la parte menos favorecida en EEUU, era de 0.35%. La relación entre los dos Gini no es pues muy elevada. No es ese el caso de Chile, pequeño país y ejemplo extremo de América Latina: las cifras son allí respectivamente 0.58% y 0.27%. Para hacer memoria, el Gini del Brasil, gran país, según el BID, avecina el 0. 6 para la población total, y 0.44 para el noventa por ciento. La separación entre el 100 y el 90% son considerables en relación a EEUU. Y es entonces lógico que las estructuras del gasto se vean afectadas. Más precisamente los gastos ostentosos de las capas altas y su "redistribución" de ingresos entre los empleados de casa, no son de una naturaleza capaz de dinamizar una oferta sectorial que incida en la valorización del capital, salvo en el sector de la construcción. Es verdad que las capas altas tienen una tendencia al ahorro mayor que las capas medias empobrecidas, pero gran parte de sus ahorros se refugian en fondos que no alimentan la inversión. En efecto, el ahorro sería para comprar bonos del tesoro especialmente lucrativos, emitidos por el Estado para el servicio de su deuda interna, situación que se ha vuelto principal en el presupuesto. Si este ahorro se deposita en bancos, no por eso financia inversiones: las tasas de interés son demasiado elevadas para incitar a prestar a empresarios, y los fondos depositados alimenta mejor la demanda de liquidez del Estado para financiar sus deudas, y muy poco para invertir.
Venimos de señalar el rol jugado por las tasas de interés en este régimen de crecimiento. Ellas son elevadas ya que constituyen la variable principal de amarre de este régimen de crecimiento. Son elevadas a fin de atraer capitales en cantidades suficientes y para hacer que las crecientes necesidades de financiamiento sean cubiertas por el financiamiento externo. Están también en el origen de arbitrajes que desfavorecen la inversión en beneficio de la especulación y de comportamientos rentistas, y por eso son causa de una lentitud en el crecimiento. Este régimen de crecimiento, que produce siempre más necesidades de financiamiento determina la importante volatilidad de la actividad económica. Ésta, en rebote, actúa sobre el crecimiento. Se impone aquí una importante indicación. Mira ésta a señalar las especificidades de las economías latinoamericanas, caracterizadas por desigualdades muy pronunciadas. En el Sur-este Asiático, la dominancia financiera está también presente, pero los regímenes de crecimiento son diferentes y la desigualdad de ingresos son más débiles que en América Latina. Este aspecto dominante de lo financiero explica en parte su vulnerabilidad y la fuerte crisis financiero-productiva que conocieron a fines de los noventa. Sin embargo estas economías han conocido y conocen de nuevo un crecimiento muy elevado y tasas de formación bruta de capital fijo entre el 50% y el 70% superiores a las que se han observado en las economías latinoamericanas. No es pues la dominancia financiera la que explica por sí sola la rémora económica de las economías latinoamericanas, sino que ésta se junta a las importantes desigualdades y a la también importante restricción del Estado en lo económico, restricción que no podemos analizar en el estrecho marco de este artículo, bastándonos señalar que hoy su rol consiste sobre todo en alimentar el financiamiento de actividades, en consolidar el comportamiento rentista gracias a la emisión masiva de bonos del Tesoro a tasas de interés elevadas, que sirven para financiar el servicio de la deuda que ha llegado a ser el lugar más importante de su presupuesto.(4)
Después de esta importante señalización, pasamos a presentar el análisis del círculo vicioso del crecimiento debido a esta dominancia financiera enmarcada en sustanciales desigualdades de ingresos y en una retirada del Estado de lo económico.
B. La consolidación de una economía casino gerenardora de estancamiento


En los últimos diez años el crecimiento promedio de las principales economías latinoamericanas ha sido débil y hasta mediocre. Ha sido también particularmente volátil: crisis en 1995, pronunciada en México y en Argentina; crisis de nuevo en 1998, esta vez sobre todo en Brasil y en Argentina, donde toma una dimensión dramática en 2002 (-11% del PIB, más un 50% de la población cayendo a la pobreza); seria detención en el crecimiento en México, en Brasil y en la mayor parte de las economías latinoamericanas en el 2002 y en 2003, pero alguna viva recuperación en Argentina. La volatilidad de los años noventa es sin embargo menos fuerte que la de los años ochenta, llamada "la década perdida". Su origen y especificidad son igualmente diferentes. En un caso ella está ligada al servicio de la deuda a partir de recursos propios de estos países; en el segundo, se genera por la elevada dependencia financiera propia de los nuevos modos de crecimiento puestos en pie con la salida de las crisis hiperinflacionistas. Las tasas de interés juegan entonces un rol central: su manipulación al alza es de tal naturaleza que permite equilibrar la balanza de pagos y así hacer corresponder crecientes necesidades de financiamiento con capacidades de financiamiento casi insuficientes. Pero el alza de las tasas de interés, o su mantenimiento a un nivel elevado, favorece el comportamiento rentista ya presente de las capas altas de la población y de las instituciones financieras, haciendo más difícil el financiamiento de la inversión. Este régimen de crecimiento tiene su talón de Aquiles: las tasas de interés en un contexto de fuertes desigualdades. Este régimen de crecimiento genera en promedio un débil crecimiento, y un crecimiento volátil, que en rebote frena ese crecimiento. Para comprender esta especificidad, vamos a analizar brevemente los componentes de la necesidad de financiamiento y su evolución, positivas para algunos, negativas para otros.
La balanza comercial tiende a hacerse excedentaria
A comienzos de los años noventa, los saldos de la balanza comercial eran profundamente deficitarios, seguidos por la degradación del aparato industrial en los años ochenta, la eliminación de las subvenciones y la drástica disminución de la protección aduanera. Esta situación cambia en la mayor parte de los países con la modernización de un aparato de produccvión remodelado. La apertura de estas economías ha conducido a una reestructuración del tejido industrial y a una relativización de la industria con relación a otras fuentes de riqueza como la agricultura o las materias primas. El tejido industrial se ha reestructurado gracias a la importación de bienes de equipo que incorporan nuevas tecnologías, que se vuelven menos costosas en razón de la liberación de intercambios exteriores y de la apreciación monetaria, es cierto, interrumpida por depreciaciones luego de las crisis financieras. Estas importaciones, en conjunto con una nueva organización del trabajo y una creciente flexibilización de la mano de obra, permiten, fuera de los períodos de crisis, un crecimiento sostenido de la productividad del trabajo, que viene a ser causa de un crecimiento en las exportaciones. En algunos países estos procesos van más lejos: espacios completos del aparato industrial desaparecen y el crecimiento de las exportaciones será el fruto de una especialización acrecida sobre los productos primarios agrícolas o mineros, Tal es el caso por ejemplo, de Argentina y de Chile. En otros, en fin, como México y de numerosos países de América Central, las inversiones extranjeras se multiplican a fin de producir para el mercado interior (México), o para destinar la producción al mercado externo con muy poco valor agregado nacional (México, América Central). En fin de cuentas, todos han conocido una apertura importante: las exportaciones se han quintuplicado en México, se triplicaron en Argentina, se duplicaron en Brasil entre 1985 y el 2000 (5), pero por otro lado estas economías, con excepción de México, permanecen todavía relativamente cerradas.

Los saldos positivos de la balanza comercial en algunos casos, la disminución del déficit comercial en otros, tienen por fundamento un ascenso en las exportaciones debido parcialmente a una modernización de los aparatos de producción, al alza de los precios de ciertas materias primas, a una progresión más débil de las importaciones o bien, su caída cuando se impone una recesión. En fin, una mayor posibilidad para manipular las tasas de cambio con la instalación de cambios flotantes, llamados sucios, a finales de los años noventa, luego de devaluaciones masivas no sujetas a control. Sin embargo, aunque la productividad del trabajo crece fuertemente en esos diez o quince últimos años, su nivel medio permanece débil en tanto el retardo había llegado a ser importante en los años ochenta. La debilidad en las tasas de formación bruta de capital fijo, el débil esfuerzo en materia de "investigación y desarrollo" explican el grado de sofisticación todavía tan débil de las exportaciones y los límites de su avance, al menos para los bienes industriales.
Retomemos rápidamente estos factores uno por uno. La tasa de formación bruta de capital fijo, más elevada de entre dos a tres puntos de la de los años ochenta se mantiene modesta y se sitúa aproximadamente en los tres quintos de la de los países del Sud Este de Asia. La inversión extranjera ha conocido un alza muy importante en los diez últimos años, al punto que para un país como Brasil, la parte tomada por la internacionalización del capital en el sector productivo es aproximadamente dos veces más elevada que en los EEUU. Las empresas extranjeras en el sector manufacturero son, considerando dimensiones equivalentes, más exportadoras que las empresas nacionales. Ellas son igualmente más importadoras. Poniendo a parte a México, donde la mayor parte de las inversiones extranjeras directas—la mitad aproximadamente—se dirige hacia las industrias de ensamblaje ("maquiladoras"), las inversiones directas se orientan en contraste con el pasado, hacia el sector de los servicios, sector que no exporta sino que importa (6). El grado de sofisticación de los bienes industriales exportados permanece, a pesar de los progresos visibles, bastante débil. Si se dividen los bienes exportados en cuatro categorías según su grado de crecimiento: muy dinámicos, dinámicos, poco dinámicos y estacionarios, el comercio mundial ha crecido, de 1990 a 1998, en un 186% para la primera categoría, donde se concentran los bienes de alta tecnología (computadoras, telecomunicación, medicamentos, etc, como también otros bienes menos sofisticados como los tissus d’interieur). 96% para la segunda, 67% y 49% para las dos últimas. Cuando se comparan las exportaciones de estos grupos de bienes en relación a su crecimiento mundial, se observa que el balance para el conjunto de América Latina es inquietante: las exportaciones de los latinoamericanos hacia la América Latina bajan de 8% en relación al comercio mundial destinado a la región por el grupo de bienes más dinámicos. Las exportaciones de los países latinoamericanos con destino a países industrializados aumentaron en un 93% con relación al crecimiento del comercio mundial en esta categoría de bienes destinados a esta región, es decir muy por detrás de su crecimiento mundial (186%). Y esta última alza se explica esencialmente por la parte muy elevada de las industrias de ensamblaje de El Salvador, de Honduras, de Guatemala y de México. En Brasil, donde este tipo vde industria no tiene tanta presencia, las cifras son elocuentes: - 12% y .17% para los bienes del primer grupo, esta pérdida de "partes del mercado" viene ocurriendo en el país más indstrializado de América Latina (Benavente, 2002). Estos resultados se pueden reunir con los obtenidos por la UNCTAD (2002). Cuando se consideran los 20 productos exportados más dinámicos de 1980 a 1998, se observa que la parte en el comercio mundial de las exportaciones de los países "en vías de desarrollo", pasa del 14,1% al 28,7%, lo que parece positivo. Esta impresión parece confirmarse cuando se nota que en los veinte productos más exportados por estos países, 8 pertenecen a los veinte productos más dinámicos a nivel mundial (la relación es de 15 a 20 en los países industrializados). Pero cuando se analizan estas cifras por grupos de países, los resultados son diferentes: las economías de América del Sur ( por definición sin México y sin América Central), no exportan más que dos productos entre los 20: bebidas no alcohólicas y adornos: los ordenadores y el equipo electrónico son más bien exportaciones de los asiáticos. La constante es todavía más severa cuando se analiza de cerca el caso de México. Los productos son definidos a partir de una clasificación en 3 "dígitos", así bienes que son clasificados como "de alta tecnología y de fuerte calificación de la mano de obra", como las computadoras, las telecomunicaciones, los productos farmacéuticos,etc.y que se caracterizan por un crecimiento importante de las exportaciones de los paóses en desarrollo, son de hecho la mayor parte de los bienes producidos en las usinas de ensamblaje. Más exactamente, se trata de segmentos con fuerte utuilización de mano de obra en líneas de producción de productos de alta tecnología que una división más fina hubiera permitido mostrar más claramente. Numerosos bienes "de alta tecnología" en realidad no lo son, y su aspecto tramposo les viene de la clasificación insuficientemente precisa. Tal es el caso para México (a excepción de la industria automotriz) y para la mayor parte de los países de la ASEAN. A diferencia de Corea del Sur estos países se han orientado hacia ese tipo de especialización sin optar por una política industrial que mire a integrar nacionalmente los segmentos deslocalizados por las empresas de los países industrializados, quedando localmente con un valor agregado my débil , y han dejado de lado el esfuerzo por la investigación para el desarrollo y no han creado casi nada en materia de zonas especiales de alta tecnología.
En general, la progresión de las exportaciones en América Latina encuentra su paralelo en un movimiento más general: el comercio mundial que crece más rápido que la media del PIB mundial. Ese progreso de las exportaciones traduce una modernización de la mayoría de las economías latinoamericanas, pero a la vez es revelador del retardo acumulado desde decenios y, al contrario, de la necesidad de una política industrial selectiva, la única capaz de dar un impulso consecuente a este movimiento, impulso tanto más necesario ya que la dependencia financiera ha aumentado en los años noventa. El deglose durable de un saldo positivo de la balanza comercial y más consecuente –fuera de fases de recesión- podrá entonces atenuar la vulnerabilidad financiera y al hacerlo, atenuar sus efectos perniciosos sobre las categorías más pobres de la población.
La pareja necesidades y capacidades de financiamiento se vuelve más y más problemática. Las necesidades de financiamiento tienen la tendencia a aumentar o a permanecer en un nivel elevado. Hemos analizado la evolución del saldo de la balanza comercial y los límites de esta evolución favorable. El saldo de la balanza del turismo se ha vuelto fuertemente negativo en el Cono Sur, cuando la moneda se ha apreciado (7), pero sobre todo los gastos ligados al retorno de los dividendos (a los que convendría agregar los de las ganancias que figuran en otra línea de la balanza de pagos) de las firmas multinacionales que aumentan considerablemente a medida que aumenta la internacionalización del capital, como las ligadas a la compra de brevetsextranjeros. En fin, los gastos ligados al servicio de una deuda externa en plan de expansión, aumentan: las salidas a título de pago de intereses son relativamente estables en porcentaje de las exportaciones fuertemente crecientes, la amortización de préstamos contratados, el reembolso de bonos (situados en otra línea del balance) aumentan de tan suerte que el servicio de la deuda, tomada en su totalidad, crece en porcentaje de exportaciones, en poco más de diez puntos en diez años, entre 1990 y 2000.
La variable de ajuste más importante
, susceptible de influir sobre una parte de los movimientos de capitales y hacer corresponder necesidades de financiamiento y capacidades de financiamiento, es la tasa de interés. El alza de las tasas de interés, o su mantenimiento a niveles relativamente elevados, condición necesaria pero no suficiente para atraer capitales, cuando estos se retraen en cantidades suficientes, de un lado tornan más vulnerables a los bancos, al bajar en parte el valor de sus activos, al incitarlos a acordar malos créditos y a aumentar el riesgo de falta de pago por sus deudores (8) y, de otro, los enriquece, cuando afectan una parte importante de sus depósitos en la compra de bonos del Tesoro. Al hacerlo se produce un efecto de evicción: menos créditos para las empresas y los particulares, más para el Estado. La inversión se vuelve más difícil pues es más costosa, la demanda de bienes durables puede verse en caída por la misma razón, y los fondos recogidos por el Estado alimentan el financiamiento del servicio de la deuda más que inversiones públicas o cualquier otro gasto. El efecto recesivo del alza de las tasas de interés produce un círculo vicioso: toda alza de esta tasa agrava las dificultades presupuestarias, arrastra una recesión, conduce a una nueva alza de las tasas de interés y a la devaluación/depreciación de la tasa de cambio. Saneadas las cuentas, puede retomarse el crecimiento, pero a un costo social elevado.
El funcionamiento de la economía se orienta hacia lo que Keynes llamaba "una economía casino".  La necesidad de financiamiento demanda la entrada de capitales. Es la relación entre la necesidad de financiamiento y las capacidades de financiamiento la que es importante, y no la necesidad y la capacidad tomadas aisladamente. La necesidad de financiamiento puede decrecer, sobre todo si el saldo de la balanza comercial se vuelve fuertemente positivo, pero si crece la separación con la capacidad de financiamiento, las tensiones que se describen, aumentan.
Conclusion :
Siendo considerables las desigualdades de los ingresos, la modificación del reparto de los ingresos a favor de las capas altas de la sociedad y al encuentro de una fracción de las capas medias, la separación de la evolución de los salarios con respecto al crecimiento de la productividad, el retiro del Estado de lo económico, el peso creciente del servicio de la deuda, la institucionalización de las tasas de interés como principal variable de ajuste cuando las necesidades de financiamiento no corresponden con las capacidades de financiamiento, generan una tendencia al estancamiento. Estas son pues características del régimen de crecimiento que producen un débil crecimiento. Este régimen de crecimiento es la causa de una fuerte volatilidad. Esta depende del régimen de cambios adoptado ( fijo con sistema de cambios, con pegue, flotante), pero también de la amplitud de medidas de apertura adoptadas. La volatilidad del crecimiento tiende a tener un efecto negativo a mediano y largo plazo sobre la tasa de crecimiento. Es pues el conjunto de características de este régimen de crecimiento lo que explica su incapacidad para impulsar un fuerte crecimiento, directa o indirectamente. La tesis de la tendencia al estancamiento desarrollada por Celso Furtado, revisitada al tomar en cuenta la dimensión financiera, permite comprender las causas profundas del empantanamiento económico y proporcionar las claves para un desarrollo alternativo que disminuya la vulnerabilidad social al reforzar la cohesión social.
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Notas

1. La dependencia tecnológica es fuerte a pesar de que estas economías permanecen en esa época relativamente cerradas al comercio internacional (años sesenta y setenta). El espectro de técnicas elegibles es restingido, el proteccionismo se amplía pero no da la posibilidad de elegir no importa qué técnica, como la teoría neoclásica daba a pensar (ditribución óptima según las rarezas relativas y en cosecuencia utilización de técnicas intensivas ligadas a la mano de obra) Al contrario, la aproximación de Kaldor murestra que la selección de las técnicas está restringida pues lo que importa son los costos unitarios del trabajo (combinación del salario de la productividad del trabajo) y que los empresarios eligen técnicas más o menos de punta y experimentan asi una dependencia tecnológica. El proteccionismo permite adelgazar esta limitación. Esta ampliación va a producir sin embargo efectos perversos. El proteccionismo incita, por ejemplo, a las empresas transnacionales a penetrar el mercado para producir alli bienes que están obsoletos en los países de origen, sea a partir de lineas de producción obsoletas, de segunda mano, o porque exigen a la parte gubernamental proseguir con esa producción, la que ya se vive como una renta (en el sentido de A.Krueger). Tal ha sido el caso de la industria de automóviles cuya característica principal durante largos años ..desde los sesenta a los ochenta—ha sido la exportación de capital productivo desvalorizado en sus países de origen, facilitado por la protección de la industria, pero valorizable en otros lugares gracias a este proteccionismo. Este último, siendo elevado, no es el de una autarquía, existen límites al alza de los precios relativos y estos pueden ser insuficientes para una tasa de valoración satisfactoria.

2. Se ve también inmediatamente que tal análisis es pertinente si a las evoluciones en términos reltivos, de la demanda de estos productos (debido al aumento de las desigualdaes) corresponden evoluciones en términos absolutos de la oferta de estos productos. Dicho de otra manera, el ingreso del treinta por ciento de la población más importante no tiene la misma dimensión que el del treinta por ciento de la población menos importante. De una manera más general, este análisis realiza un deslizamiento: trata de la demanda de estos productos en términos relativos ( pues es dependiente de la evolución de la distribución de los ingresos), y de la oferta en términos absolutos (pues depende de la dependencoia tecnológica). Las dos dimensiones pudieras ciertamente estar en armonía, pero un tal razonamiento no permite deducir a un nivel teórico que permanezcan o no en esta dinámica.

3.A la inversa, en los años noventa, la apreciación de las monedas frente al dólar durante varios años, la reducción masiva de los derechos aduaneros, la importación de bienes de equipo "al día", favorecen un proceso de tipo "catching up" de las técnicas y de modernización de los aparatos de producción, e introducen igualmente una separación "capital saving" en el sentido de Robinson, favorable a una mejor valorización del capital invertido.

4.
Al ir un poco más lejos, las dificulotades para financiar la integridad del servicio de la deuda externa (intereses y principal) conducen a los gobiernos a aceptar las obligaciones impuestas por el FMI a fin de obtener financiamientos de las instituciones internacionales, a más bajas tasas de interés que las del mercado, incluyendo primas de riesgos a veces leoninas. Estas condiciones consisten en parte en limitar los gastos públicos a fin de separar un saldo primario positivo de sus presupuestos (saldo antes del pego de los intereses). En economías relativamente cerradas, esta limitación, o sea esta redicción de los gastos que no sean los del servicio de su deuda, tiene efectos recesivos de tipo keynesiano, al reducir la propensión a invertir de los empresarios, y alk aumentar la vulnerabilidad de los pobres ante la crisis, en lugar de aligerarla.
5.Para relativizar, recirdemos que las exportaciones de China de 1980 al 2000 se han multiplicado 15 veces.

6 Por ejempo en Brasil: el 64,7% de las inversiones se dirigen hacia el sector industrial en 1995; el 22,7 % en 1996; y el 13,3% em 1997, el 11,9% en 1998, el 26,6% en 1999, el 17% en 2000. Después suben: en 2001 al 32,80% (SOBEET, 2000). Sin embargo, recordemos que a partir del 2001 se observa una baja muy pronunciada de la inversión extranjera directa.
7 El estudio de la evolución de las tasas de cambio real supera el marco de este artículo. Sin embargo, se puede observar una tendencia "estructural" a la apreciación de las tasas de cambio real. Ësta es el resultado del "éxito" de la política de liberalización emprendida en los años noventa: el flujo de los capitales tiende a apreciar la tasa de cambio. Esta apreciación es entrecortada con depreciaciones brutales cuando la credibilidad de la política gubernamental es emparejada por la incapacidad para hacer corresponder las necesidades de financiamiento y las capacidades de financiamiento, lo que en conse cuencia trae un aumento de riesgos de incapacidad de pago. El paso a tasas de cambio fltantes llamnadas "sucias" a fines de los años noventa tiende a atenuar la amplitud y sobre todo lo sorpresivo de las crisis en los cambios, por lo que la volatilidad de las tasas de cambio se mantiene importante: apreciaciones estructurales beneficiosas para la repatriación de capitales hacia las economías del centro, y depreciaciones que sueldan esta apreciación.
8 La vulnerabilidad de los bancos aumenta cuando los depósitos no siguen el mismo ritmo del crecimiento de las tasas de interés, y su capitalización llega a ser más preocupante cuando aparece la crisis. El costo para recapitalizar los bancos y socializar sus pérdidas alcanza entonces dimensiones considerables.
Bibliografía

Intencionalmente hemos hecho pocas citas. La obra de referencia de Celso Furtado (1969) : Développement et sous développement, PUF (Paris)
Benavente J.M. (2002) : «  Cuán dinámicas son las exportaciones intraregionales latinoamericanas ?» Cepal, série macro économie du développement n°12 . Santiago du Chili
CEPAL (2002) : Globalizacion y desarrollo. Santiago du Chili
Rodrik D. (2001) : « Por qué hay tanta insecuridad económica en América Latina » Revista de la Cepal n°73, Santiago du Chili
Salama P (1976) : Un procés de sous développement, ed Maspéro, seconde édition remaniée, Paris
Salama P (1999) : Riqueza e pobreza en América latina, la fragilidad de las nuevas políticas económicas. Ed Fondo de cultura económica, Mexico
SOBEET différents numéros, Sao Paulo
UNCTAD : Trade and Development, Report 1997 et 2002). Genève
Trad.del original en francés: Federico García M. para Globalización Revista de Economía, Sociedad y Cultura.